sentimos as veias a tremer...e sentimos o sangue a correr...e uma respiração funda que nos faz descer às caves da nossa vida. que nos sacam assim a vida, às vezes.
que nos fazem escrever a lista dos nossos defeitos, imperfeições...que apenas nos lembram essas, que apenas nos abraçam por defeito.
e nada vale a pena e tudo se deveria esquecer quando de nós fazem saco de boxe a céu e corações abertos. e das omissões, recusas, negações e acusações se faz o não. o não que quase foi um sim aberto e declarado.
de uma volta que não se fez matéria, que não se fez rio para deixar correr...
tenho-te no meu nome, nas simples e molhadas armas de combate a um tal amor moderno. tenho nas costas do meu corpo os textos e desenhos deste não amor. tenho nas teclas presas deste pequeno amor...um não saber mentir que será melhor dizer. imaginei que sabia cuidar de um não amor, de um amor que toca e foge.
sem nome, sem rosto...
corporizado, pensado, sonhado...mantido na esperança da realidade, do acontecer, do viver.
ainda por usar, ainda porque esperar, sem ainda ser a hora de ir embora.
ainda que tarde o chegar, ainda que noite e dia seja gelado de outono de ano inteiro.
tento descobrir...
haverá sempre tempo para dizer tudo, sem sacrifícios, e haverá sempre espaço para um “enfim”, haverá e continuará a haver lugares comuns e lugares que nos desmarcam, mas já aprendemos a vivê-los. mesmo que não no mesmo café, mesmo que em passeios diferentes, mesmo que mal sintonizados...votamos sempre para que cada um de nós ganhe.
foi na rua que te ouvi cantar, o que cantavas e fazias com esses teus olhos de destino. fazias com esses olhos rimados como as ondas do mar...foste a fazer a voz da primavera.
és a palavra que está na gente e melhor te fazes porque és a saudade de um eterno e longo desejo. que me amarras mesmo que negando, mesmo que ás portas de um beijo sem retorno, que me amarras pela voz.
parceria um aplauso de pé, uma música de amor.
um suave e leve registo de uma quase alegria. se querer fosse viver.
se a alma fosse um dia a tua voz.